Vitaminar os social media

Segunda feira, dia 27 de Março, desloquei-me até às instalações da Nestlé Portugal onde visionei o trabalho da Digital Acceleration Team (DAT).

O DAT é uma equipa que se propõe a acelerar a comunicação digital correspondendo às necessidades da organização face aos seus públicos. Assim, a equipa é constituída por especialistas em Digital, Social Media e eCommerce podendo estruturar e aplicar a estratégia da Nestlé nas demais áreas. De acordo com a direção da organização, o DAT pretende:

“responder de forma mais imediata às necessidades dos consumidores, proporcionar experiências gratificantes e, assim, construir marcas fortes”

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Este novo conceito surgiu há 5 anos na Suiça, sede da Nestlé, para ajudar a lidar com os inúmeros fãs com que a marca conta nas suas páginas (276M). Portugal é já o 20º país a receber este “departamento”.

Para além disto, têm um programa de formação digital interno com objetivo de formar os seus colaboradores e promover um mindset empreendedor e uma gestão de social media das várias marcas em tempo real.

«o DAT concretiza uma nova forma de pensar e de trabalhar; reflecte uma cultura de agilidade, flexibilidade, inovação, empreendedorismo e mudança que irá contribuir para que a Nestlé continue a ser a companhia líder de Alimentação e Bebidas».

Listening | Engaging | Transforming

Esta equipa da Nestlé assenta em três grandes pilares porque quer continuar a seguir de perto todos os seus públicos, escutando-os e entendo as suas necessidades e pensamentos sobre a organização (listening), proporcionando as melhores respostas possíveis da forma praticamente instantânea (engaging).  A inovação é uma aposta assumida no mercado por parte dos mesmos, conseguindo oferecer experiências exclusivas e originais aos seus públicos. O objetivo passa ainda por, tanto a nível interno como externo, potenciar a qualidade, a perfeição, o vanguardismo e a originalidade (tranforming).

É claramente uma equipa pioneira numa empresa em Portugal, mas que revela bastantes utilidades. É uma forma de gestão das comunidades online e afinal de contas, é no mundo digital que as pessoas se informam, socializam, dialogam, manifestam as suas opiniões e fazem, até, as suas escolhas.

No mundo digital não há softwares?

Cada vez mais existe uma preocupação organizacional para com o digital mas nem sempre é fácil completar todas as necessidades dos públicos de forma online. Para isto, existe um CRM (Customer Relationship Management) que se trata de um cargo com o objetivo de perceber e antecipar as necessidades dos públicos para responder-lhes da melhor forma. Assim, na Nestlé, o DAT encontra-se em constante comunicação com um CRM mas para facilitar todo o controlo digital dos públicos existem softwares com competências de CRM. No caso estudado, era utilizado o salesforce em que tivemos a oportunidade de o ver e mais propriamente as suas sales clouds. Estas, cada nuvem com a sua função, estavam expostas em largos ecrãs pelo escritório com informações relativamente à presença digital da marca, desde perfis de facebook e instagram a blogs. Assim, entre várias funcionalidades existiam televisores onde demonstravam qual dos produtos eram mais falados no mundo digital e com cores ilustrativas da preocupação que se devia ter das mesmas. Existe uma avaliação de comentários e publicações e caso um produto começasse a acusar muitos negativos a cor iria ser vermelha e algo teria que ser feito sobre a mesma. Um pequeno reparo que o programa de avaliação da sales cloud não é muito seguro, pois qualquer estado com palavras de teor negativo como “não”  ou “nunca” definem logo o comentário como pejorativo. Assim, não é confiável a 100% pois a métrica passa um sentimento que nem sempre transparece a realidade total. Para além disto, também é possível comparar dados analíticos dos produtos da Nestlé com os das marcas concorrentes e perceber dos quais se fala mais e se positiva ou negativamente. Numa outra televisão, é possível assistir-se a tudo o que é publicado nos social media que refiram a marca e os seus produtos em real time.sales-cloud

Conclusivamente, os softwares de CRM são bastante úteis e ajudam bastante na avaliação para saber que medidas tomar e para antecipar situações de crise na organização. Há que ter consciência que nenhum software é totalmente certo e que todos têm pequenas falhas nas métricas, pois ainda se torna complicado para algo não humano identificar tudo na perfeição e encaixá-lo no contexto certo. Sem dúvida alguma que acelera a produtividade, consegue-se obter mais leads e tomar decisões mais perspicazes.

Onde a organização peca mais, ou não…

Hoje, existem várias soluções para comunicar internamente mas é algo que não se deve decidir aleatoriamente pois se não funcionar de forma perfeita vão surgir falhar a longo prazo e talvez a curto. Se não estão todos os colaboradores da organização informados sobre determinados assuntos, ou se certos departamentos sabem primeiros um conjunto de informações que outros, podem produzir-se falhas sobre práticas de conduta, ações e sobre o que é público ou não. Assim, a comunicação dentro de uma empresa deve ser valorizada e trabalhada para que seja da forma mais clara e explícita para todos.

Talvez seja neste ponto onde a organização peca mais. Ouvimos falar de várias aplicações e softwares que facilitam a comunicação como os Hangouts/Google Talks, SlackPodio, HipChat, B2APP, entre outras. Na Nestlé, estão um pouco desatualizados tendo em conta que utilizam o email para toda a sua comunicação e com muito pouca frequência o Facebook for Business. Duvido que haja um único profissional que goste de trabalhar por email, muito menos um profissional de comunicação. Isto porque mesmo com todas as melhorias do email, continua a ser pouco intuitivo e dificilmente se tem a caixa de entrada vazia. Recebem-se mails por qualquer simples resposta de alguém mesmo que não se tenha interesse em tal e é complicado encontrar antigas conversas. Continua a ser útil para certas alturas e para comunicar com o exterior de forma mais formal, mas a nível interno tem vindo a perder importância e cada vez faz menos sentido o seu uso. Assim, esta é a minha principal crítica à organização sendo que pode não ser um problema visto que até hoje não se sabe de nenhuma situação menos boa da empresa fruto de um erro de comunicação interna. Assim sendo, não existindo maus exemplos pouco se pode apontar à mesma. De qualquer das formas e mesmo podendo ser difícil a mudança (o que sinceramente, duvido) acho que era uma forma de desenvolver uma parte que não acompanhou a inovação da organização.

Métricas

Por fim, deixar uma lição que reconheço ser bastante importante. Não existem métricas corretas para tudo. Existe sempre um contexto, um ambiente a qual a estratégia digital e as suas métricas devem ser adaptadas. Assim, a métrica pode ser reach, podem ser clicks (conversão), podem ser visualizações… varia sempre de caso para caso. Não existe um KPI (Key Performance Indicator) – um conjunto de métricas que se definem como essenciais para avaliar um processo de gestão, neste caso digital.

Fechando o assunto…

O DAT é claramente uma mais valia, tem as suas valências que passam por permitir um maior controlo do digital, uma comunicação mais direta para com os públicos e prevenir situações de crise. Está equipado com as mais recentes tecnologias que permitem monitorizar em tempo real a performance das marcas, tanto a sua como as concorrentes, nos social media. Obtêm insights e tendências para melhorar as suas estratégias digitais, dão suporte aos negócios na definição e desenvolvimento das suas estratégias digitais e de eBusiness, e transformam a informação volumosa que provém das redes sociais. É uma aposta valiosa e que todos os dias traz frutos e cada vez mais. Há que dar os parabéns à Nestlé por ser pioneira e que continue a inovar na comunicação que é vital para o sucesso empresarial e ainda há certas organizações que não pensam de tal forma. Foi um investimento avultado mas que de certeza já evitou grandes crises e gastos com a mesma e que proporcionou melhores números de vendas graças à reputação alcançada através da comunicação digital. Acabo o post dizendo que tentei comunicar com a Nestlé através do twitter mas que não fui feliz ao tentar, pois não obtive qualquer resposta.

CapturarNão faço ideia se o tweet passou ao lado, se foi uma decisão não responder mas aposto mais na primeira opção. Se assim foi, confirma-se o que disse: “nenhum software é totalmente certo e todos têm pequenas falhas nas métricas, pois ainda se torna complicado para algo não humano identificar tudo na perfeição e encaixá-lo no contexto certo.

Os social media são importantes e cada vez mais decidem o sucesso organizacional. Assim, há que os “vitaminar”.

 

Separados por 3 amigos

O mundo é pequeno e estamos ligados a qualquer pessoa do mundo por uma cadeia de 6 amigos.

O mundo é pequeno e os social media ajudaram nesta redução. Hoje, estamos acessíveis a qualquer pessoa e, se repararmos bem, teremos sempre um amigo em comum com determinada pessoa, ou um amigo de uma amiga que conhece tal pessoa. Assim, Six Degrees of Separation foi um estudo apresentado em 1929 por Frigyes Karinthy, ganhando o verdadeiro destaque em 1990 numa peça escrita por John Guare. Resumidamente, Karinthy defendia que para chegarmos a um indivíduo, fosse de onde fosse, apenas precisaríamos de 6 ligações de amigos de amigos e não mais que isso. São 6 graus que nos separam entre todos.

O progresso que se foi naturalmente vivendo, trouxe-nos novidades em todos os setores. A comunicação não foi excepção e houve vários avanços tecnológicos que produziram um encurtamento das distâncias. A cada momento que passa o mundo se moderniza e proporcionalmente vai encolhendo. Karinthy, defendia que apesar das elevadas distâncias físicas entre as pessoas, a crescente densidade de redes humanas tornou a distância social real muito menor.

Todos nós somos conhecedores de inúmeros social media e utilizadores de muitos deles. O que se mantém no topo, é o Facebook que teve um grande impacto nesta redução do globo. Já se ultrapassou a barreira dos mil milhões de utilizadores. Apesar de os EUA, o Brasil e Índia apresentarem os números mais elevados, Portugal com a sua menor população apresenta um valor elevado de 4,7 milhões de utilizadores desta plataforma (cerca de 45% da população total).

CapturarO Facebook tinha consigo uma aplicação relacionada com estes graus de separação. Denominada por “Six Degrees” e mais tarde, “Degrees of Separation”, permitia selecionar qualquer utilizador da plataforma de social media e calcular os graus de separação entre os dois perfis. Apresentava um número máximo de 12 graus, sendo que a média se fixava nos 5,75. Mais tarde, a distância média apresentava valores de 4,7 graus. Em fevereiro do ano passado, o facebook revelou um estudo em que o valor reduziu ainda mais, apresentando valores médios de 3,57. É interessante perceber que estamos a curtas distâncias de pessoas tão reconhecidas e distantes de nós, como o próprio CEO do Facebook, Mark Zuckerberg.  Hoje, temos disponível na Play Store a aplicação Six Degrees que permite as mesmas funcionalidades mas que é paga.

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Graças aos social media e muito em particular ao Facebook, hoje tudo é perto. Vivemos numa aldeia cada vez mais global, numa única sociedade com pequenas diferenças culturais que também vamos conhecendo a partir destas plataformas. 

O perfil/página de facebook é assim uma vantagem competitiva, na medida em que diferencia claramente duas pessoas ou duas organizações. Basta alguém querer saber um pouco mais sobre determinado tema, ir pesquisar e só encontrar informação da marca concorrente. Logicamente, que terá uma maior credibilidade aquela que disponibiliza informação sobre a mesma. Assim, a nossa geração é marcada pela evolução da comunicação, pelo progresso dos social media, pelo facebook.

A evolução da comunicação veio, sem dúvida alguma, “encolher” o globo.

Hoje, torna-se importante qualquer pessoa estar presente nos social media. Afinal de contas, quem não está não existe. Não se vão lembrar de ti, não vão ver atividades nem feitos da tua parte, e não vão ter hipóteses de te encontrar caso não te conheçam. Como qualquer pessoa, também é importante a organização estar presente. Deve haver uma página para todas as organizações de forma a mais pessoas chegaram até ela, verem os conteúdos da mesma e os seus valores.

Tendo uma página organizacional deve-se explorar as funcionalidades, completá-la ao máximo e mantê-la atualizada. Existem vários passos bases e obrigatórios para ter uma página minimamente apresentável:

  • Um logótipo como imagem de perfil perceptível e tradutor dos valores e da identidade da empresa;
  • Uma foto de capa que reproduza o momento atual da empresa;
  • Uma secção “Sobre” atualizada com um resumo concreto sobre a sua área de ação e com todos os seus contactos e páginas;
  • Um álbum de fotos relativo à empresa ou a algum evento relacionado com a mesma;
  • Ter publicações, mas nunca atualizações de “status”.

A partir daqui, temos um mínimo de condições para avançar com a página. Como disse anteriormente, é necessário apostar também no diferente, no original, no novo. Há que marcar a diferença e comunicar de diferentes formas para alcançar mais pessoas e cativar um maior número de públicos. Sugiro:

  • Utilização de vídeo “nativos” do facebook (em domínios agregadores como o youtube);
  • Utilização de lives em momentos que faça sentido comunicar instantaneamente e em tempo real;
  • Utilização de #hashtags introduzidos estrategicamente no corpo do copy;
  • Ligação entre todas as redes sociais;
  • Interação com outras marcas e identidades conhecidas;
  • Utilização do Facebook Adwords;
  • Adição de um botão “CTA”;
  • Utilização da ferramenta “BuzzSumo” para uma melhor gestão e utilização estratégica de assuntos e palavras chave;
  • Criatividade com os “topic trendig” adaptados a assuntos da organização e da sua realidade;
  • Estudar o feedback negativo através das “Insights”;
  • Anúncios 3-D, fotos e vídeos 360ª e outras novidades que vão aparecendo mas sempre relacionadas à realidade da empresa e do seu momento atual, caso contrário não se justifica.

Tudo o resto, todo o sucesso da página vai estar relacionado com a sua comunicação a longo prazo. É necessário estabelecer “guide lines” previamente para que todo os posts sejam coerentes e não vão contra aos valores e práticas responsáveis da organização. Para além disso, é necessário ser transparente e sincero para com todo os seus públicos. Assim, estas boas práticas vão agradar o públicos e mais facilmente fidelizá-los.

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E horas chave para publicar conteúdos?

Revelo primeiro alguns conselhos de páginas entendidas do assunto:

Muitas teorias existem sobre tal, eu não aconselho nenhum em específico. Os momentos ideais estão, hoje em dia, dependentes de muitos fatores externos. Um domingo ao final do dia normalmente seria bom tendo em conta que é um dia que normalmente as pessoas estão em casa e estão mais facilmente atentas. Verdade, mas e se nessa mesma noite houver um clássico de futebol entre Benfica e Porto?! Toda a comunicação vai ser abafada por este trending issue e a teoria vai ser contrariada. Assim, todas as teorias têm várias excepções não controláveis.

Não existe o melhor momento para publicar, mas sim um melhor momento para a marca comunicar.

Com tantos utilizadores ativos, a concorrência no Feed de Notícias é enorme e pode ser complicado que a própria publicação apareça. A cada publicação, a organização está a competir no mínimo com mais 1500 posts. Assim, se todos seguíssemos certas estratégias todos iríamos partilhar conteúdo nos mesmos horários e muito pouco seria comunicado de forma eficaz resultando em pouca informação nova recebida.

Como o blog buffer refere, para comunicar num momento correto tem que se ter em conta os próprios dados estatísticos e quando é que o assunto é relevante. Há que saber quando os públicos principais estão online. Há que saber utilizar o agendamento de publicações para não estar dependente da internet e de equipamentos no momento em que quer comunicar.

Contudo, os timings podem ser importantes no que toca às visualizações mas se o alcance for bom o sucesso da empresa não se vai definir pelo timing de publicação mas sim pelo conteúdo das publicações.

Fechando o assunto…

Termino o artigo desta semana com a clara noção de que é vital, tanto uma pessoa como uma organização, marcar presença no mundo dos social media. Enquanto não o fizermos, consideram-nos mortos. As sociedades têm vindo a evoluir com a comunicação e se nós não acompanharmos essa evolução vamos parar no tempo, estagnar e morrer para os públicos pois vai sempre existir alguém a marcar presença de outras novas formas. Acima de tudo há que ser transparente e sincero em toda a comunicação afinal de contas vamos viver da opinião dos nossos públicos, vamos viver da reputação aplicada a nós e à nossa organização.

Este social media é sem dúvida uma excelente forma de comunicar de diferentes formas e cada qual tem que saber a melhor forma de o utilizar à sua conseguindo valorizar-se. Existem variadas ferramentes e funcionalidades como já referi anteriormente para além de hoje em dia ser uma agenda com tudo o que se trata de eventos, reuniões, aniversários, conversas de grupo, etc.

Hoje, não tenho um amigo sem facebook. Se tenho, não me recordo de nenhum neste momento. Possivelmente, alguém que conheço está a ler isto e não tem perfil mas não me recordo porque não vejo atividade do mesmo em lado nenhum no mundo de hoje: o mundo online. Se a nossa sociedade não vive sem esta plataforma e outras do mesmo género, as seguintes também não e cada vez mais se vai tornar algo normal, um hábito e acredito que num futuro próximo se vai ter um perfil automático assim que se nasce.

 

Jaimes há muitos…

Não, a privacidade não existe. Está extinta e por mais que se acredite na utopia de partilhar em privado, ela vai estar ao alcance dos nossos inimigos.

Primeiro que tudo, é necessário ter noção de onde advém a imagem e a reputação organizacional. Já Fombrun remetia para a importância das mesmas: “a reputação é uma das fontes de uma vantagem competitiva”. Assim, é necessário ter cuidado com as mesmas. A reputação explica-se pelo agregado de imagens que são formadas pelos consumidores, mas conjuntamente pelo alinhamento moldado sobre o que é projetado por uma organização (identidade) e aquilo que é criado pelos públicos (imagem).

Desta forma, há que ter em atenção com o que alimenta estes dois conceitos e de que forma contribui para tal.

Cada vez mais a tecnologia tem evoluído e os social media proporcionalmente igual, estando diretamente ligados. Muitas oportunidades se criaram mas foco-me no término do último post: os perigos da internet. Tem diminuindo cada vez mais e, hoje, a privacidade é praticamente nula. Assim, é necessário entender que não há conversas privadas e o que não se quer público não se pode transmitir. O meu conselho é fácil:

Se não quer que seja público não o diga.

A privacidade hoje é enganosa e por mais que se julgue estar a divulgar informação num grupo secreto, ou numa conversa restrita… mais tarde ou mais cedo ela vai chegar aos ouvidos do público. O Streisand effect é um efeito forte que explica tal fenómeno e que prova que não vale a pena esconder ou ocultar informação. Quanto menos quiser que algo seja público mais se vai espalhar. Afinal de contas, a informação é porosa.

Relacionando com as temáticas do momento, olho bastante para o caso de Jaime Nogueira Pinto que foi vítima de um caso “estranho”, digamos assim. Muitos devem saber minimamente a situação que se passou, mas aconselho a quem não sabe a ver este artigo do jornal Observador que demonstra todos os primeiros momentos e reações do que se passou na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Universidade Nova de Lisboa. Vários acontecimentos caricatos têm surgindo ao longo dos tempos, desde o momento de uma nova tomada de posse da Associação de Estudantes da FCSH, que foi tomada por “Comunas”, como dizem as vozes da rua. Pontos de vista extremistas e um deles baseou-se na tentativa de cortar a palavra a Jaime Nogueira Pinto que iria abordar temas como o Brexit, Trump e Le Pen, de forma a contrapor o populismo e a democracia. Numa simples, RGA, que se equipara a uma Assembleia Geral, votou-se numa moção contra a conferência com o argumento de que se tratava de algo fascista. Gostava de fazer uma pequena observação:

O que é mais fascista do que a censura? Do que cortar a liberdade de expressão, de opinião e de debate?

Continuando, a moção seguiu para a direção e de facto a conferência foi cancelada. E o que todos pensaram? Claro, a AE FCSH conseguiu passar por cima da direção da faculdade! Toda a reputação da unidade orgânica da Universidade Nova de Lisboa foi posta em causa, afetando assim a Faculdade, a Universidade e as suas direções.

Conhecendo melhor este caso e esperando por mais informações concretas, esclarecedoras e de maior credibilidade, percebemos que não foi bem assim. A questão é que como era algo mais polémico foi comunicado mais massivamente e a real história apesar de ter sido divulgada em vários meios de comunicação, poucos a sabem e a poucos também interessou saber. Quer dizer, excepto às direções da faculdade e da universidade que ambicionavam esclarecer este assunto, minimizando da melhor forma possível os danos reputacionais e dos olhos de todos os seus públicos.

Simplesmente, a conferência não se realizou devido a dúvidas de segurança. A direção da faculdade, conhecendo os perfis dos seus alunos, tinha receios que um tema tão polémico que iria gerar um debate vivo certo pudesse ficar mais aceso do que o desejado. Assim, estas preocupações com a segurança elevaram-se e para o bem e estabilidade da instituição tomaram a decisão que lhes pareceu correcta. Francisco Caramelo, presidente da direção da FCSH, afirma que o cancelamento não está de todo relacionado com ideologias ou cores políticas: “é um espaço de debate, liberdade e reflexão que recebe debates de muitas naturezas diferentes”.

O que se tem de perceber é que para os media é muito mais entrópico a 1ª notícia que decreta responsabilidades sobre a associação de estudantes. Esta é uma notícia que apresenta um caráter mais original porque não costuma acontecer. É algo raro. Não é em qualquer dia nem em qualquer local que uma AE passa por cima de toda uma faculdade com uma moção aprovada por 0,5% dos alunos da mesma instituição. Meros 24 alunos! Claro que se a decisão fosse conhecida como mero fruto da direção da faculdade, quer se concorde ou não, não iria surgir polémica acerca disto porque muito provavelmente o tema não seria sequer comunicado.

Neste caso, surge ainda uma dúvida em que a entidade organizadora da conferência, o núcleo Nova Portugalidade afirma que  nada foi adiado como a faculdade chegou a afirmar. Assim, refutam a informação disponibilizada pela instituição dizendo que foi cancelada e que ambas as partes, organização e orador, foram comunicados de tal. Mas não abordarei este pequeno grande pormenor e vou manter o foco no assunto abordado inicialmente…

Qual foi o problema?

A reputação da FCSH e da Universidade Nova de Lisboa que ficou extremamente afetada, pois de outra coisa não se falou nos media. Palavras como “FCSH”, “Jaime Nogueira Pinto” foram topic trending no twitter nacional e por todos os jornais estava presente uma notícia relativa a isto.

Hoje, estão publicadas várias notícias sobre o que realmente se sucedeu, por quem passou a decisão e por que razões.

Simplesmente, não houve uma comunicação tão forte dos mesmos e o interesse dos públicos também é menor. Todos já tinham visto a temática e fartaram-se da polémica não se interessando mais por ela. Os media optaram por não divulgar tanto a segunda notícia. O que veio resultar em ferimentos na reputação da instituição e da sua associação de estudantes.

Apenas fica a pergunta se alguma medida vão tomar para tentar recuperar esta reputação?

Pois todos sabemos que a reputação vai influenciar diretamente o sucesso ou insucesso organizacional.  Casos destes são vários e há que saber lidar com eles. Tal competência é da responsabilidade de um profissional de Relações Públicas de forma a evitar estas situações e mesmo quando elas acontecem saber dar a volta com o máximo de transparência e restantes valores presentes na organização.

Jaime Nogueira Pinto, agradeço à Associação 25 de Abril por te ter disponibilizado condições para a conferência se realizar e só te deixo uma frase da Evelyn Beatrice:

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

 

E depois de Gutenberg…

Talvez tenha começado por sinais de fumo. De seguida pombos-correios, mais tarde as cartas de correio, passando pelos SMS e, hoje, são as redes sociais.

Hoje, falo de uma revolução. Impossível negá-lo, e quem o fizer não terá argumentos para sustentar tal louca afirmação. Muito conhecida foi a denominada Revolução de Gutenberg, que nos trouxe a imprensa, a possibilidade de comunicar pela escrita, a partir de um objeto móvel. Sem tirar qualquer mérito a este inventor, cujo dia de nascença seja ainda hoje desconhecido, temos que louvar uma nova mudança global. Reconhecimento não devia faltar a Tim Berners-Lee, que tantas novas oportunidades nos criou, com um foco na entrada dos anos 90. Assim, a chegada da internet foi uma grande revolução e, a partir daí, devido à evolução da mesma, todo o dia é uma revolução (talvez, se fosse uns anos atrás, se soubesse hoje o dia de parabenizar Gutenberg).

Se formos a analisar os hábitos entre gerações, as diferenças são abismais e poucos deles perduram iguais…

Como posso neste momento escrever estas palavras num diapositivo tão prático e que em poucos milésimos de segundo as partilha com todo o mundo?! Sorte teria eu se não chovesse e a minha carta sobrevivesse a todos os temporais e dificuldades, para a ir mostrar à minha namorada, do outro lado da rua. As ideias de sair à rua para ir fazer compras, com as poupanças que se guardavam debaixo do colchão, foi ultrapassada pelo conforto do lar, pelos bancos e NIBs, pelas compras online e pelos serviços de entrega ao domicílio.

Torna-se bastante difícil pensar hoje numa sociedade sem internet, com as imensas necessidades atuais, que a todo o dia aumentam. A primeira coisa a fazer, para uma significativa percentagem das novas gerações, é desbloquear o telemóvel com a sua impressão digital, ler os novos emails e responder-lhes imediatamente, ver as notificações das apps noticiosas, para estar informado sobre os mil acontecimentos que se sucederam durante aquelas poucas horas de sono, abrir as redes sociais e ver as últimas novidades dos seus grupos e coletividades, e, de seguida, tomar um banho rápido, em contra-relógio, para sair de casa à pressa, que o tempo é curto para tudo o que há para fazer.iot_simbolos

Nada na vida tem só referências positivas e assim não se pode negligenciar algumas consequências mais negativas desta invenção. Todo o terrorismo e corrupção, toda a espécie e tipo de crime foi facilitado e está hoje mais presente no dia a dia devido às possibilidades que a internet veio fornecer. Desde a sua invenção que ouvimos bastante crimes, burlas, vítimas de ato x, y, z  que não seriam possíveis sem a mesma. Isto é fruto de qualquer invenção. O homem trabalha na progressão e dia após dia tem uma invenção pois ele procura satisfazer as suas necessidades e da forma mais eficaz possível. Todos estes novos instrumentos têm um lado benéfico na sua utilização. Simplesmente, no andar dos tempos, certos utensílios vão-se introduzindo cada vez mais na sociedade e são adaptados para os contextos e necessidades de cada um. A mente individual leva ao ato e não a criação. Este é o caso da internet. O homem criou-a, logo comanda-a e não se pode pensar no caso contrário em que a mesma o governa. A culpa de todas as tragédias não é das invenções/criações do Homem, mas sim dos interesses e necessidades do mesmo que o podem levar a cometer atos infelizes e prejudiciais a todo o nível.

Concluo que a Internet veio sem dúvida alguma permitir novas oportunidades, alargar horizontes e amplificar capacidades. Veio tornar tudo a uma escala maior, a uma escala global. Tudo o resto permanece, e o dia em que os valores e o respeito desaparecerem não haverá criação para solucionar. É necessário cada um saber proteger-se e não se expor demasiado, mas evidentemente que a internet vem facilitar vários processos de pesquisa e comunicação ao maior nível e num mais curto espaço de tempo.

As RP são uma janela para o mundo.

A comunicação necessita de “open minds”.

É assim que me defino, como uma mente aberta a várias temáticas do dia-a-dia de cada um, adequadas ao meu contexto e realidade. Agora sim, identifico-me. João Barroso Viegas, estudante de Relações Públicas e Comunicação Empresarial, presente em diversos projetos e com sonhos de outros, mas, mais tarde, continuarei a falar mais de mim.

Hoje, inicio este blog e apresento-o como um espelho das minhas ideias, experiências e aprendizagens. Também hoje, exponho o primeiro momento de reflexão pessoal, que vou partilhar. Meditando um pouco, cheguei à conclusão de que o dia de amanhã é algo tão incógnito e com tantas possibilidades que o poder de decisão é algo que não pode estar ao alcance de qualquer pessoa, pois o seu perigo é enorme. Todas as circunstâncias perigosas podem revelar-se positivas ou negativas, sucessos ou fracassos, mas é esse mesmo resultado que vai interferir, inevitavelmente, na vida de todos nós. Quem tem o poder de decisão tem de criar oportunidades. Por vezes, surgem problemáticas em que a porta de casa se tranca a sete chaves, mas tem que se abrir uma janela, para se conseguir sair desse ambiente fechado e solucionar a adversidade. Foi aqui, neste papel solucionador, que encaixei o profissional de RP. Desta forma, concluí que as Relações Públicas são uma janela para o mundo, são um caminho a percorrer para se chegar a cada individuo de cada localidade. 

Um RP tem que estar consciente do seu ambiente envolvente, de tudo o que o rodeia. Pensar como um RP exige entender as sequências lógicas do mundo e perceber porque é que o mesmo caminha de uma determinada forma. Nada é feito sem quaisquer razões aparentes. Todas as ações têm que ter uma intenção e um objetivo. Existe uma estratégia delineada, que sem eles, não vive. Como Gregory defendia, para a comunicação ser eficaz, tem de existir uma intenção. Essa intenção procura obter a compreensão do público e a aceitação do mesmo perante a nossa ideia, procura motivar o público e conseguir penetrar na sua consciência, no contexto abordado, e evitar as ameaças, detetando os problemas e conflitos.

Estando o profissional da área responsável por tudo isto, também depende de vários fatores externos, mas tem que ser sempre capaz de superar o problema e criar uma solução por cima do mesmo. A comunicação não tem limites e, se ainda há alguém que pense o oposto terá cada vez mas dificuldade em enumerar um. Assim, estando o RP responsável por toda a comunicação, com todos os tipos de públicos de uma organização os resultados são inimagináveis. É possível chegar a todo o mundo e impactuar. É somente necessária uma comunicação estratégica, na qual se tem de perceber com quem se comunica e de que forma se pode obter o resultado desejado, seja ele informar, alterar comportamentos, ou atitudes.

Uma mente “free”, onde não ache que existe um caminho certo para todos os casos e que dê valor ao contexto e a todo o ambiente externo, estará sempre em vantagem. Vai comunicar com maior eficácia e pode fazer a diferença pois, afinal de contas, consegue “tocar” em cada ponta do planeta.

Acredito convictamente que, fora de utopias, as Relações Públicas são a resolução de grande parte dos problemas. Há que procurar o bem comum, um bem estar geral e nunca pensar de forma individual e nem a curto prazo porque, mais tarde ou mais cedo, irão sempre haver repercussões. Se quotidianamente temos certa influência em variados aspetos, temos que o fazer para alcançar a comodidade e a tranqulidade do maior número de pessoas possível. O princípio de um RP parte daqui. Parte daqui e acaba numa janela para o mundo. Assim, o Relações Públicas tem um poder incrível, que, se bem usado e de forma societal, pode, a longo prazo, realmente mudar o mundo.

A comunicação necessita de open minds. Open minds que caminhem para um open world, para um mundo mais íntegro, com menos questões problemáticas e mais conhecedor da globalidade.

A comunicação deve a sua eficácia e generalidade às RP. O mundo, para não cair e conseguir evoluir, mantém-se em contante comunicação. O mundo precisa das Relações Públicas para seguir um melhor trajeto e para viver no objetivo da busca da perfeição.