Pelo chão se fez o mundo

Hoje, trago uma reflexão após uma visita ao Museu de Lisboa, exposição “Debaixo dos Nossos Pés – Pavimentos Históricos de Lisboa” alocada no Torreão Poente.

Sempre nos ensinaram a olhar para cima, para o horizonte, para o futuro. Neste dia, tive um desafio diferente. Olhar para baixo, para os pés, para o passado. Foi este o convite que o Museu de Lisboa me fez quando entrei na sua exposição e me fez descobrir toda a história no interior de cada pedra da calçada lisboeta.

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As necessidades do homem vão-se alterando e evoluindo, afinal um pavimento de solo não surge de repente na história e o homem criou-o para facilitar a vida do homem e melhorar o desempenho do mesmo. Hoje, existem vários perfis de chão e existe um luxo de em cada espaço ter o melhor adaptado ao uso do mesmo. Nas RP é necessário ter em atenção às necessidades dos públicos e por sua vez de comunicação, mas a ideia de atender às necessidades da sociedade não vem de hoje, nem é recente.

Com todo o evoluir da cidade de Lisboa e dos seus habitantes, os pavimentos foram-se alterando. O que começou com banais rochas sofreu adaptações para que facilitasse o percurso e as atividades das pessoas, tornaram-se local de circulação de coches, de cavalos, carros e motas. As invenções obrigavam a novas invenções de outras áreas. Foi neste sentido que o solo percorrido evoluiu. Caso o automóvel não tivesse sido criado, não existiriam nestes dias o pavimento que existe para conduzir de forma confortável e tranquila. Desta forma, a evolução do pavimento marca sem dúvida Lisboa e toda a sua história. É entusiasmante o que podemos descobrir e associar através das mudanças do mesmo.

Apesar de todas estas adaptações e mudanças, houve intenções e gostos de se manter certas tradições, ou não fossemos nós portugueses. Foi no séc. XV que se introduziu a calçada portuguesa, um género de pavimento visto ainda hoje em espaços públicos e passeios nas suas típicas cores, preto e branco. É um marco da nação, entre tantos outros. Símbolo de Portugal, utilizado em vários locais do mundo principalmente em países lusófonos. Todos temos uma identidade e a calçada pertence à do nosso país. Trata-se de um conceito atual e presente mas que também remota para o passado. É impossível desfazer-se do mesmo. Tal se passa numa organização com a sua identidade. Toda ela alastra o seu passado consigo até ao presente com o futuro em vista. Certamente, que só certos assuntos serão lembrados mais facilmente, mas nada é apagado da história por mais que queiramos. Assim, nasce também o conceito de reputação organizacional como venho a definir e a falar em vários posts anteriores.

Não é de hoje que nascem estes conceitos, tanto o de reputação, como identidade. A manutenção da tradição sempre foi algo muito presente nos Portugueses. Não que o mesmo signifique uma vantagem competitiva organizacional para Portugal, mas que estas ideias já existiam muito anteriormente simplesmente associadas a outras questões. O que importa reter é que se formos aos inícios da história, the point já foi resolvido noutro contexto. Muitas vezes, a respostas está no passado. As técnicas vão-se alterando e inovando, mas o pensamento base mantém-se sempre, nem que seja na mais pequena coisa.

Porque razão certos pavimentos já desatualizados perduram séculos e organizações apenas pernoitam?! Assim como a calçada portuguesa se mantém tantos anos, as organizações deviam manter-se no ativo por mais tempo. Há que inovar mantendo a identidade organizacional, assim como a calçada se mantém nos nossos dias.

 

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