Muito pouco ou o pouco que gera muito?

Estamos num mundo de grande concorrência onde a diferença é valorizada. A estratégia de uma organização deve ser dinâmica e original tocando em pontos que as outras não toquem. Estando todo o seu pensamento delineado de forma única, também a organização vai atuar de forma única.

THINK DIFFERENT

think_different_apple-wideA Apple é um excelente exemplo de uma aplicação de boa estratégia que mesmo surgindo após a sua concorrente, Microsoft, conseguiu ganhar o seu espaço e valorizar-se. Sugiro o vídeo de apresentaçao do 1º Iphone da marca que hoje tem a seu lado inúmeros clientes a defendê-la e não é pelo produto, mas sim pela experiência.

A estratégia envolve uma escolha, que vai criar valor pela diferença. Assim, há que abordar o posicionamento e perceber estrategicamente onde a organização se vai diferenciar. Tal escolha deve ser realizada de acordo com os seus próprios recursos que são limitados, seja tempo, dinheiro, vontade. A estratégia tem, assim, de passar por fazer aquilo que é necessário e não ir mais além. É impensável utilizar mais recursos do que o que se quer para o objetivo. Um grande ponto sobre o posicionamento é o atendimento da maioria ou de todas as necessidades de determinado target de públicos. Porter, chama-lhe needs-based positioning, que surge quando existem “vários grupos de clientes com diferentes necessidades e quando um conjunto de atividades personalizadas pode satisfazer melhor essas necessidades.” Afinal de contas, cada grupo tem o seu perfil e enquanto uns são mais sensíveis ao preço, outros importam-se mais com as quantidades de informações, suporte e serviços. Um exemplo de bom “posicionamento Porter” é o IKEA que tenta satisfazer as necessidades de mobiliário doméstico de todos os seus públicos e não apenas de parte deles.

Enquanto as táticas são tangíveis, a estratégia não. Todos podem saber e ver que fiz uma parceria com uma entidade, mas ninguém consegue perceber as minhas razões, os meus objetivos com a mesma, a minha estratégia por detrás da parceria. É sempre possível visualizar a tática, mas não o seu porquê, pois a estratégia não é uma technic choice. Há muitas hipóteses e escolhe-se uma em função de outra.

Outra questão é a melhor estratégia… Não existe melhor estratégia, existem várias sempre, mas é importante antes de definir a mesma perceber a realidade, o contexto atual, as culturas dos públicos, as perspetivas futuras para tentar antecipar as tendências. A estratégia nunca vai indicar o que se vai fazer, mas sim o contrário. Vai sendo discriminada com tudo aquilo que não se vai fazer, chegando à escolha que melhor se enquadra no mundo real.

Sabemos que a competição entre as entidades é como de uma “guerra” se tratasse. O sucesso depende da capacidade de antecipação de tendências, de comportamentos, de necessidades e do tempo das mesmas respostas a estes pontos. Desta forma, tal como na apple, a estratégia não se foca nos produtos nem na sua venda, mas sim em todo o seu comportamento, conduta e linha de pensamento geral. Esta última que deve ser formalizada a partir de capacidades estratégicas difíceis de se copiar, distinguindo-se da concorrência aos olhos dos públicos e mantendo sempre a autenticidade. Estas capacidades definem-se por conjuntos de processos, qualidades e competências entendidas de forma estratégica, como a experiência em reabastecimentos de stock da Wal-Mart ou a habilidade da Honda na gestão de revendedores. São, assim, capacidades coletivas e inter-funcionais (que resulta de uma pequena parte do trabalho de várias pessoas, e não de grande parte de algumas). Ao depender de um coletivo, é importante que toda a organização conheça e se reveja na estratégia da organização para que a mesma haja sempre de acordo com ela, mantendo os seus valores.

“Sem uma estratégia não se pode superar a concorrência”

“Less is more”

Trata-se de uma estratégia de comunicação. Cada vez mais se comunica tudo e muitas vezes sem qualquer nexo ou de acordo à realidade. Assim, defendo que se deve comunicar menos mas de forma mais acertada. Não é necessário criar tanto conteúdo, pois se for excessivo vai deixar de ser informação para passar a ser spam. 

Desta forma, o conteúdo tem que ter uma maior qualidade pois se a comunicação é mais reduzida, os olhos sobre essa mesma vão estar mais atentos. Se o Benfica jogar todos os dias com o Sporting é provável que o meu interesse não se mantenha igual sempre, que não me importe tanto com o mesmo e que provavelmente não veja todos os jogos. Se for uma vez por ano, todo o mundo pára para assistir ao mesmo. O conteúdo deve então ser original, detalhado e referenciável.

Futuro de conteúdo massivo

Numa era que tanto se utilizam os meios de comunicação digitais, em que ainda crescem as vendas de computadores, telemóveis e de aderentes a social media, estamos a antecipar um futuro de spam máximo. Trata-se de um choque de conteúdo como Mark Schaefer afirma, pois cada vez mais será o número de publicações devido ao maior número de utilizadores. Várias marcas decidiram aumentar a produção de conteúdo e saíram-se bem pois conseguiram construir uma audiência fiel com a constante publicação de informação, mas não há estratégias perfeitas e cada qual adequa-se a uma realidade diferente em organizações diferentes. A Content Marketing Institute adotou uma política de intensificar o número de conteúdos publicados, chegando a 2 por dia e notou um retorno decrescente por parte dos seu públicos.

Defendo muito esta estratégia principalmente em páginas e blogs de investigação, em que aprofundam bastante certos e determinados temas. Exploram até ao limite, mas não estão todos os dias a divulgar conteúdos divergentes. Dão espaço aos seus públicos de verem tudo, analisarem, criarem uma opinião própria sobre o mesmo conteúdo e esperarem por um próximo tema que tenham tanto ou mais interesse. Desta forma, termino com a conclusão de que estratégias há muitas e dependem sempre do ambiente, do contexto e dos públicos.

 

 

 

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